A pós-modernidade nos apresenta uma série de mudanças, algumas delas recorrentes. Aos 50 anos, normalmente, uma pessoa estava ingressando na velhice. Hoje, longe disso, estando apenas na fase mais ativa da vida. Até no campo dos ilícitos há um novo perfil. O crime era coisa de homem, já que as mulheres, mesmo atuando, eram apenas parceiras, dando suporte às suas ações. Os tempos, porém, são outros. Na edição de domingo, a Tribuna mostrou o envolvimento do sexo feminino em ocorrências que já levaram para o cárcere, só em Minas, cerca de três mil mulheres, cem delas em Juiz de Fora.
O tráfico, pelas próprias características, é o que mais as atrai, mas já não é o único. Nos crimes contra a vida, também há um considerável contingente e registros desse crime. Na semana passada, uma mulher foi morta a tiros disparados por uma desafeta. A maioria das envolvidas, de acordo com dados do Departamento Penitenciário Nacional, tem entre 18 e 24 anos, refletindo, também, a faixa responsável pelo maior número de ocorrências dos crimes contra o patrimônio e tráfico de drogas. Ontem, dentro desse cenário de intolerância, outra mulher foi assassinada.
Com uma característica particular, Juiz de Fora tem sido palco de uma guerra urbana, que se manifesta não apenas pela venda de drogas mas também por enfrentamento entre gangues. Nesta segunda tipificação, as mulheres também estão envolvidas, ora como vítimas, ora como autoras, já que os grupos são mistos e próprios para consolidação de uma identidade característica.
O município, a despeito de ter um centro de recuperação para menores de 18 anos, não contempla as mulheres, o que já é um problema a mais. Antes de tudo, porém, a discussão deve focar na origem, o que, necessariamente, passa pela educação e pela elaboração estrutural das famílias. Sem isso, gênero será uma questão menor. Todos estarão envolvidos nas mesmas ocorrências.
