O retorno ao Brasil da presidente Dilma Rousseff, marcado para hoje, deverá dar fim ao sangramento, já previsto, do ministro do Esporte, Orlando Silva. O que se discutirá, daqui por diante, é a forma como ele sairá do Governo: de moto próprio, a fim de evitar novos desgastes, sobretudo para seu partido, ou apeado pela chefe do Governo, o que seria bem mais constrangedor. Ontem, ainda no seu périplo pela África, a presidente rejeitou o que classificou de linchamento público do ministro, enquanto este, em depoimento no Senado, disse que querem tirá-lo no grito. Os dois discursos são próprios do ritual político. Independentemente de haver ou não provas materiais contra ele, Orlando Silva tornou-se um problema para o Governo, que continuará exposto enquanto não houver mudança na pasta que gerencia dois ambiciosos projetos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.
Depois da divulgação do depoimento do policial militar João Dias pela revista Veja, o Congresso mudou o seu perfil, deixando de ser uma instância de discussões políticas para se tornar uma delegacia, desempenhando um papel que cabe, por prerrogativa, à Polícia Federal e ao Ministério Público. O grave, porém, é o oportunismo de alguns segmentos que mais jogam para a arquibancada do que para o caso em si, numa clara demonstração – apesar da camuflagem – de interesse pela pasta ora sob o comando do PCdoB. O Ministério, que no início da gestão Lula era uma pasta comum, é hoje cobiçado, o que induz à presença do fogo amigo no processo de fritura de Orlando Silva.
O que se espera, porém, é que haja uma solução rápida sem, no entanto, encerrar as apurações. É comum no país que, após a queda dos atores envolvidos, as discussões sejam inseridas nas gavetas. Se não, vejamos: em que pé estão as investigações dos escândalos no Ministério dos Transportes e no Ministério do Turismo? Não basta a troca de cargos quando o problema permanece, daí ser necessário, mais do que a queda do ministro, que se apurem as eventuais irregularidades, a fim de dar retorno ao dinheiro, por ventura mal-empregado.
