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“Hexa? Primeiro, arrumem a casa”

editorial
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A maior Copa do Mundo da história, com sede em três países – EUA, México e Canadá -, vencida pela Espanha, deixou lições importantes para o futebol brasileiro, cuja performance foi decepcionante. No entanto, não basta culpar apenas os jogadores ou a comissão técnica pelo fracasso. O problema é bem mais amplo.

Desde 2002, ano da última conquista, o sonho do hexa tornou-se uma meta sem rumo organizacional. Enquanto os clubes brasileiros aumentaram sua relevância, especialmente na competição continental, alcançando títulos seguidos, a Seleção Brasileira foi envolvida em um ciclo de turbulência, com trocas frequentes de técnicos e escândalos envolvendo dirigentes da entidade.

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A cada período, as convocações foram marcadas pelo jogo de interesse de agentes de jogadores, de dirigentes e até de políticos. A presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tornou-se um grande negócio financeiro e político, bastando avaliar a sua formatação nos últimos anos. Sem explicações claras, dirigentes de pequenas federações chegaram ao topo em um claro jogo de poder. Eleito com mandato até 2029, Samir Xaud vinha da presidência da federação de futebol de Roraima, estado que sequer tem uma equipe na elite nacional.

Em seu discurso de posse, ele destacou que sua prioridade inicial seria a adequação do calendário do futebol brasileiro. “É compromisso dessa gestão implementar imediatamente mudanças significativas no calendário das competições. Assumo o compromisso de promover, entre outras medidas, a reorganização dos campeonatos estaduais para um calendário de no máximo 11 datas, sem comprometimento da qualidade e da sustentabilidade financeira dessas competições.”

A contratação do italiano Carlo Ancelotti foi o desfecho de uma série de tentativas que se mostraram ineficazes, sobretudo pela clara falta de autonomia dos antecessores. O atual técnico, que deve ter sua gestão renovada, terá que se desdobrar entre o lobby dentro da própria entidade e a necessidade de renovação do elenco.

A Espanha, cujo técnico está no cargo há três anos, buscou na base a estrutura que hoje comemora o título. No Brasil, tão logo ganham visibilidade, os jogadores são vendidos para o exterior.

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Tal processo pode até facilitar o intercâmbio, mas a insistência em colocar a base em segundo plano – dando preferência a nomes consagrados em outras épocas, como foi claro no elenco eliminado pela Noruega – precisa ser revista, sob o risco de ficarmos mais quatro anos à espera do título. Há tempo para mudanças, mas a questão é avaliar a extensão do interesse em promovê-las.

 

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