É correto o discurso do ex-presidente Lula quando, dirigindo-se a jovens estudantes, lhes pede que não reneguem a política. A demonização de tal instância, tão em moda em diversos fóruns e reverberada nas ruas, é, no entanto, resultado da inação da própria política. Seus representantes têm andado na contramão, criando um cenário de indignação na opinião pública, sobretudo quando corrompem mínimas regras de uso do dinheiro público. Além disso, é a instância política responsável pelo atraso na discussão de reformas importantes para o país, a começar pelo sistema eleitoral, que há tempo está defasado.
O ex-presidente, com o peso de sua liderança, ampliaria sua contribuição ao debate se também dissesse aos políticos que o seguem para tomar a dianteira e acelerar, por exemplo, a reforma. Com a mesma ênfase dada no diálogo com os jovens, poderia cobrar dos aliados uma postura menos corporativista. O Congresso tem agido por pressão das ruas, mas mantém o velho distanciamento ao insistir em questões menores, sem se importar com a vontade coletiva. A briga por cargos na comissão especial da reforma é a primeira prova desse jogo de interesses.
A semana começa sob a expectativa de protestos com a visita do Papa Francisco. Mas não será ele o alvo preferencial dos críticos. De novo, mesmo estando à margem dos fatos, a política será o alvo central. Mesmo assim, o ex-presidente está certo. É pela política que será possível fazer as mudanças para a sua própria moralização.
