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VERBAS SEM DONO

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O desvio de recursos nas prefeituras afetadas pelas chuvas do início do ano na Região Serrana do Rio de Janeiro é algo extremamente abominável, pois demonstra o pior lado do ser humano. Nem na tragédia há sensibilidade, fazendo dela uma fonte de benefícios pessoais. Ficar neutro numa situação dessa é impossível, pois o mundo inteiro, depois de acompanhar o drama dos flagelados, só queria uma saída: a solução dos problemas, com a retomada da vida. Quando se descobre que obras ainda estão por fazer e que contratos foram forjados para captação de recursos que nunca chegaram às pessoas afetadas, há espaço para a perplexidade.

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O lado perverso desse enredo é que os episódios do Rio não são únicos. O matutino O Globo mostrou em destaque que setores que têm os maiores orçamentos da União e estão diretamente ligados aos cidadãos, Saúde e Educação, são também os que mais sofrem com a corrupção no Brasil. Diz a nota que um levantamento elaborado pelo Departamento de Patrimônio e Probidade da Advocacia Geral da União apontou que 60% a 70% dos recursos públicos desviados no país são dessas duas áreas. Entre 2007 e 2010, foram desviados R$ 662,2 milhões, e quase a metade dos acusados de improbidade em todas as áreas da administração pública, segundo a AGU, é de prefeitos ou ex-prefeitos.

A despeito da Lei de Responsabilidade Fiscal, fica claro que o problema é a falta de fiscalização, permitindo que administradores eleitos pelo povo para, em seu nome, gerir os recursos públicos mudam o foco e se locupletam sem riscos de punição. Mesmo com a constatação, a Advocacia Geral tem sido insuficiente para conter o saque aos cofres públicos e que afeta setores estratégicos como as áreas da Saúde e da Educação.

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Com a fiscalização precária e a pulverização dos recursos, fica cada vez mais difícil acompanhar o dinheiro, facilitando a vida desses salteadores. Ao eleitor, cada vez mais, é repassada a responsabilidade da escolha, pois só dessa forma será possível inverter essa perversa lógica onde há o dinheiro, mas este não chega a quem precisa.

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