Os próprios atores políticos evitam se apresentar como candidatos, mas, pelos últimos movimentos, a campanha presidencial está nas ruas, e de vento em popa. No sábado, durante convenção que o elegeu presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves disse que era preciso resgatar o legado de Fernando Henrique, ex-presidente da República que o próprio partido tratou de esconder nas últimas disputas. No dia seguinte, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, disse que, ao colocar FHC como referência programática, Aécio dava conteúdo à disputa.
Por outro lado, a presidente Dilma Rousseff e o também virtual candidato Eduardo Campos – governador de Pernambuco – se encontrariam ontem em Recife para um evento no Porto de Suape. Ambos estão em rota de colisão, mas mantiveram os modos que devem pautar o processo republicano. A presidente ressaltou os avanços de seu Governo e reagiu ao boato de encerramento do Bolsa Família. Disse que a Polícia Federal vai apurar a fonte, mas a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse que a central de boatos está na oposição. Esta reagiu irada.
A antecipação da campanha é inevitável, sobretudo num cenário em que os principais candidatos precisam ir às ruas se apresentar ao eleitor, especialmente os que não têm a visibilidade da presidente. Esta, por força do cargo, dia sim, dia não, está na mídia. Deixar para depois é bom para o custo da campanha, que fica menor, mas é problemático para os candidatos, já que nem todos são conhecidos nacionalmente.
A antecipação, a despeito de todos os danos, não deve ser vista como um problema para a governabilidade, já que ambos os lados, estando ou não no palanque, se movem de olho no eleitor. Dizer que as articulações só vão ocorrer no ano que vem é puro jogo para a arquibancada. Na verdade, todos os times já estão em campo.
