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HÁ 30 ANOS

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Há 30 anos, morria Tancredo Neves, depois de uma agonia de meses que começou às vésperas da posse que não aconteceu. O país estava com os olhos voltados para Brasília, quando surgiu a notícia: Tancredo foi internado no Hospital de Base. A capital da República estava lotada de gente do povo, lideranças nacionais e convidados de outros países, que se encheram de perplexidade. Foi uma longa noite, pois, enquanto os médicos avaliavam a saúde do paciente ilustre, nos bastidores, discutia-se a posse, ou não, do vice José Sarney, que não tinha o apoio das ruas. O então presidente João Figueiredo admitia passar o cargo para o deputado Ulysses Guimarães, presidente da Câmara. Para o desafeto Sarney, não. Este tomou posse, mas o general, além de não lhe passar a faixa, saiu pela porta do lado do Planalto.

Três décadas depois, ainda se discute o que seria o Governo Tancredo. Historiadores, como José Augusto Ribeiro, que era seu assessor, e o jornalista Antônio Brito, porta-voz da Presidência, a quem coube comunicar a morte de Tancredo, em depoimento ao programa “Canal livre”, da TV Bandeirantes, na noite de domingo, lembraram que o ex-presidente tinha sérias preocupações com a política e com a economia, mas seu foco era resgatar os segmentos mais carentes, com forte investimento na área social.

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Hoje, num cenário de denúncias de toda a sorte e de uma luta aberta pelo poder, Tancredo faz mais falta do que nunca. Administrador de crises – foi assim em 1963, quando articulou a volta de João Goulart e instituiu o parlamentarismo, como na transição para a democracia nos anos 1980 -, era hábil nas negociações, mas não abria mão de princípios éticos. Sabia mais ouvir do que falar, algo hoje em falta, e, sobretudo, tinha a postura de estadista, na qual o interesse da Nação sempre esteve acima das questões particulares. Ele faz falta.

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