O número expressivo de acidentes com moto nas metrópoles é preocupante e carece de uma discussão mais aguda na busca não apenas da conscientização dos usuários mas também para apontar o risco duplo que correm. Como vítimas ou autores, os motociclistas estão no topo das estatísticas. Em São Paulo, ocorre, em média, um óbito por dia. Em Juiz de Fora, de acordo com números do Samu, de 80 atendimentos diários, 14 têm o envolvimento de motociclistas. A maioria é resultante da imprudência, fruto da ousadia ou da inexperiência, como a Tribuna aponta em levantamento sobre o tema.
Num cenário de trânsito lento por conta das retenções e com custo mais adequado, as motos tornaram-se a opção preferencial dos usuários do trânsito, por permitirem melhor mobilidade com o menor custo. Mas há o perigo na convivência nem sempre pacífica com caminhões e automóveis. Motoristas impacientes não cedem espaço; motoqueiros ousados tentam achá-lo a qualquer custo. O resultado, às vezes, é trágico. Ontem, uma moto e um caminhão se envolveram num acidente na ponta da Rua Halfeld, no Centro, no primeiro dia da volta do binário da Avenida Brasil. Sem precisar entrar no mérito de quem foi a culpa, o motociclista, como usualmente ocorre, levou a pior. Era um cabo da PM, que teve fratura exposta no pé.
A necessária conscientização envolve todos os segmentos, inclusive o pedestre. Vira e mexe, ao atravessar as vias, ele presta atenção nos carros, mas se esquece das motos que andam pelos espaços, ora no meio da pista, ora nas laterais, muitas vezes contrariando a legislação. Trata-se de um trabalho de longo prazo que deveria ter o Conselho Nacional de Trânsito como principal indutor. Os acidentes de trânsito são um problema social, mas também econômico, bastando ver os números da Previdência Social, nos quais os acidentados nas ruas ou rodovias se encontram no topo da lista de custos do sistema.
