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EM NOME DA FÉ

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A campanha eleitoral entra na sua etapa mais crítica com uma nova ênfase no discurso dos candidatos, agora já sabedores de seu status nas pesquisas. Em regiões onde há a possibilidade de segundo turno e nas quais um dos postulantes está bem à frente, a luta pela segunda vaga costuma provocar tensões. Desta forma, não há surpresa quando dois líderes de viés sereno, como o prefeito Custódio Mattos e o deputado Bruno Siqueira – dentro dos limites da boa educação -, sobem o tom, como foi visível no debate que terminou nas primeiras horas de ontem, na TV Alterosa, realizado em Belo Horizonte. Como revelou pesquisa do Ibope encomendada pela Tribuna e pela TV Integração, ambos estão num empate técnico, e suas oscilações da primeira para a segunda pesquisa foram positivas, mas dentro da margem de erro. A professora Margarida Salomão lidera.

Se em Juiz de Fora, porém, os dois lutam democraticamente por um espaço, em outras regiões há componentes preocupantes que foram para os palanques. Em São Paulo, na disputa da maior prefeitura do país, os candidatos Celso Russomano, José Serra e Fernando Haddad estão se envolvendo em demandas que deveriam estar restritas aos plenários das igrejas. O Estado brasileiro é laico, mas cada vez mais o viés religioso está se fazendo presente nas disputas. E não há exclusividade dessa ou daquela Igreja. Na capital paulistana, a ligação de Russomano, líder das pesquisas, com as Igrejas evangélicas levou a católica a se manifestar, como se houvesse uma disputa entre as duas instituições.

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Trata-se de um cenário preocupante, pois, o eleitor, que deve se manifestar apenas por conta das suas convicções, está sendo convocado a votar nesse ou naquele candidato por pressão de sua Igreja, como se fosse – em vez de uma campanha eleitoral – uma cruzada em nome da fé.

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