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TODOS SÃO VÍTIMAS

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A reação da população a uma tentativa de assalto no Centro da cidade, na qual os envolvidos – para surpresa geral – eram meninos de 9, 10 e 11 anos, abre margem para a discussão sobre a violência na infância. Esses menores infratores, na verdade, são vítimas de um sistema perverso que faz deles criminosos e lhes fecha as portas para uma eventual ascensão social. São filhos da omissão do Estado, que, a despeito de todas as políticas públicas que possam estar em curso, e em todas as instâncias, ainda não chegou ao centro da questão: os segmentos mais carentes continuam à margem desse processo, e não há perspectiva de curto prazo para mudar esse cenário.

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A sociedade, por sua vez, também é vítima, pois ir às ruas e voltar ileso, ou encontrar a casa sem danos, é quase uma aposta. O noticiário é pródigo em apontar os episódios das ruas, como o do jovem agredido, sem motivo, dentro de uma casa de shows. Foi para uma festa e acordou no hospital.

Na rotina policial, o número de menores de 18 anos envolvidos continua alto. O tráfico, responsável pela maioria dos roubos e homicídios, faz deles suas mulas, sob o discurso da inimputabilidade, mas seria temerário dizer que a redução da maioridade penal para 16 anos, como quer 70% da população, seja o caminho adequado. De fato, o adolescente nesta faixa etária, já com direito a votar, tem capacidade de distinguir o certo do errado, mas, se houver essa mudança, o crime também fará a redução, passando a utilizar crianças como seus distribuidores.

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A infância perdida, como apontam os especialistas, é uma demanda de interesse coletivo que exige ações imediatas, sobretudo nas famílias. A má-formação no lar tem fomentado diversas mazelas. A mãe que puniu o filho queimando-lhe uma das mãos agiu por instinto, mas também desconhecia outros caminhos, já que está dentro dessa ciranda de hereditariedade. Ela passa ao filho o que aprendeu, e por aí vai. O corte nesse ciclo é a única alternativa para ela, o filho e outros tantos na mesma situação.

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É necessário reconhecer o avanço nas políticas sociais, mas, por mais que se faça, o passivo ainda é alto em função do silêncio de muitos anos, em que a questão da violência era tratada única e exclusivamente sob o viés da repressão.

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