A manutenção do número de vereadores pela Câmara Municipal em 19, como ficou decidido na noite de segunda-feira, não foi um recuo do Legislativo, e sim um sinal de bom-senso das próprias bancadas, pois fixaram a representação de acordo com o colégio eleitoral de Juiz de Fora. Embora a legislação permitisse a eleição de até 25 candidatos, e 21 fosse a conta apresentada em plenário, a não alteração não terá influência na representação popular. Ao contrário, se forem às ruas, os vereadores vão constatar que o eleitor apoia a decisão e, se forçar muito, achará que poderia até ser menos.
Em tempo em que as relações de poder entre Legislativo e Executivo andam mais para a negociação de bastidor do que de divisão de atribuições – um executando e outro fiscalizando -, alterar o número de qualquer representação, seja nas câmaras, nas assembleias ou no Congresso, é caminhar pela contramão. O eleitor prefere investir na qualidade de seus representantes do que na quantidade, pois esta, ao contrário do que se prega, não muda a ação das ruas na elaboração de leis ou de acompanhamento dos demais poderes. Na verdade, aumenta apenas o tamanho do balcão.
Outro fator a considerar é a elaboração do coeficiente eleitoral, que tem no número de cadeiras da Câmara a sua principal referência. Aumentar o número de cadeiras iria reduzir o número de votos necessários para formação de bancadas, privilegiando, desta maneira, as legendas de menor porte. Nada contra, afinal elas têm papel importante na representação popular, mas em tempos de hoje os partidos chamados pequenos já não têm mais o perfil de outros anos, quando representavam segmentos minoritários. Hoje, boa parte deles é forjada em negociações menores, apenas para entrar na barganha política, que compromete a representatividade e só interessa aos chamados donos de partidos.
