Quatro de cada dez crianças vítimas de abuso sexual foram agredidas pelo próprio pai e três pelo padrasto, segundo pesquisa do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, revelada quarta-feira, no dia de Combate ao Abuso Sexual. Os números indicam ainda que em 88% dos casos de abuso infantil o agressor faz parte do círculo de convivência da vítima – o pai, 38%; o padrasto, 29%; e o tio, 15%. O perigo mora ao lado, como advertem há tempos especialistas e autoridades policiais.
Embora esses dados apontem para o viés da afetividade, ou de domínio, é possível chamar a sociedade para participar das ações contra esse tipo de crime, denunciando as ocorrências que, muitas vezes, não são registradas por medo ou constrangimento. Sob o véu do silêncio, os responsáveis pelos abusos continuam agindo, causando danos irreversíveis em pessoas de ampla vulnerabilidade.
Com a internet, que colocou o mundo dentro de casa, os pais têm que ficar atentos não só ao comportamento dos filhos, mas também sobre o que eles andam lendo e dizendo em suas correspondências eletrônicas. Como bem lembrou o delegado federal Cláudio Nogueira, é preciso vigília, pois, além dos casos ocorridos no seio familiar, há, como pela internet, meios de facilitar a exploração sexual e dificultar a investigação.
O protesto coletivo realizado em diversas cidades do país, entre elas Juiz de Fora, não é apenas uma atitude simbólica, mas uma advertência formal de que não é possível transigir com tais abusos. A Tribuna, em mais de uma ocasião, já denunciou casos às margens das rodovias, onde meninas, quase crianças, se submetem aos adultos em troca de migalhas; também apontou o uso de hotéis de fachada que fazem de seus quartos verdadeiros prostíbulos; e, ainda, o uso de praças e lugares isolados para esse tipo de ocorrência.
O abuso sexual é um flagelo que deve ser combatido com repressão e educação. Como boa parte da sua origem está na instância familiar, cabe a esta, principalmente, colocar um olhar mais atento ao seu redor.
