O fato de os ministros do Supremo Tribunal Federal chegarem ao cume da magistratura por indicações políticas não justifica comportamento político depois de empossados. Daí, a preocupação com os sistemáticos embates fora dos autos que ocupam o noticiário nacional. O mais recente envolveu o presidente da Casa, Cezar Peluso, a corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon, e o também ministro Joaquim Barbosa, além do senador Francisco Dornelles. No site Consultor Jurídico, Peluso não refugou ante as perguntas e criticou a corregedora, acusando-a de não ter feito nada, jogando mais para a arquibancada. Além disso, classificou seu colega de STF de inseguro e apontou o senador como lobista de bancos.
Eliana, normalmente de pavio curto, foi comedida: ele disse o que acha, reagiu. Joaquim Barbosa, no entanto, outro de pavio curto, disse que o presidente do Supremo é um homem amargurado em relação a ele e que se acha. Dornelles, como bom político de naturalidade mineira, preferiu dizer que não acreditava no que lhe tinham dito. Por isso, não fez comentário. Bastava entrar no site, mas não o fez. O clima no Supremo, como foi mostrado ontem pela mídia, estava pesado, pois até mesmo próximos de Peluso achavam que ele avançou o sinal.
Avançando, ou não, quando ministros, com a função de julgar, contenciosos, partem para o bate-boca fora do processo, estabelecem, ao olhar da opinião pública, uma certa fragilidade. Só que não é essa a imagem que a sociedade tem e nem a que espera. Não precisa ser sisudo nem não ser dotado de emoções, mas é fundamental ter serenidade. Às vésperas do julgamento do mensalão, as declarações de um ministro acusando os próprios colegas de fazerem julgamentos de olho na opinião pública em vez de nos autos, cria um clima de insegurança, sobretudo aos réus, que temem, e com razão, estarem sob condenação prévia por pressão das ruas.
