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FLAGELO DA DROGA

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A questão do crack em Juiz de Fora, que a Tribuna mostra em uma série de reportagens até amanhã, é um desafio coletivo: trata-se uma demanda de saúde pública, de família, de polícia e de prevenção, exigindo ações permanentes em várias frentes, mas, infelizmente, de resultados indefinidos. Comemora-se, e com razão, casos de pessoas recuperadas, mas não é possível ainda ter a certeza de ser uma luta que dará a esperada virada, pelo menos a curto e médio prazo. As drogas tornaram-se um flagelo mundial, e o enfrentamento não pode ser dado em instâncias estanques, sob o risco de ser um trabalho sem chance de sucesso, se isolado. Nos diversos depoimentos, foi possível entender um pouco desse nebuloso universo, onde as razões para o vício são várias. Há casos de jovens com situação financeira precária, mas também de outros com tudo em casa, tecnicamente sem necessidade de se drogar. Em um dos casos, o adolescente abriu mão de tudo para se tornar um nômade pelas ruas.

Na edição de hoje, é apresentada uma nova frente de combate, desta vez pelo viés da religião. Há quem seja contra, mas é preciso reconhecer que a fé tem conseguido reverter a vida de muitas pessoas que se perderam. Trata-se de mais uma iniciativa, independentemente de qual igreja, que precisa ser experimentada, já que nem todas as demais ações têm sido suficientes, muito menos a repressão isolada. Há um encadeamento de fatores que se multiplicam na formação desse cenário perverso. O tráfico continua cada vez mais articulado e não basta prender o pequeno traficante, pois ele é peça descartável, de fácil reposição. Ao mesmo tempo, como ajudar o viciado se, em boa parte, a família comporta-se da mesma forma?

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O ambiente de casa é fundamental. Pela avaliação das próprias autoridades, a desestruturação familiar tem sido indutora de problemas que começam, principalmente, pelo alcoolismo, por se transformar em porta de entrada para o consumo de drogas ilícitas.

O crack, quando surgiu, entrou em cena sob a chancela de ser uma droga de rápida letalidade, embora barata. Como outras, ele mata, mas não tão rápido como se dizia, dando margem à multiplicação dos viciados. Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios indica que 98% das cidades já registram casos, apontando para um flagelo contra o qual ninguém pode ficar inerte. Todas as ações em curso são louváveis, e incentivá-las é uma obrigação coletiva.

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