Juiz de Fora, como a maioria das cidades brasileiras, por recomendação do Governo federal, tem que concluir até abril o seu Plano de Mobilidade Urbana, para ter meios de angariar recursos oficiais. Segundo a Secretaria de Transporte e Trânsito (Settra), a fase mais aguda – de consultas à população – já ocorreu, restando agora os colóquios com representantes de toda a cidade. A participação da comunidade é estratégica, uma vez que, além de ser o foco dos benefícios, também é a parte que conhece de perto os problemas, por vivê-los diariamente. Uma das prioridades é o transporte coletivo, mas as demandas vão além disso, pois as cidades do século XXI acumulam outras questões importantes, a começar pelo impacto ambiental. Uma das preocupações do Governo são ações para redução da emissão de gases, o que implica, necessariamente, a redução da frota, transferindo o transporte para meios menos poluentes e para o atendimento coletivo.
A secretaria tem estudos em várias frentes, mas o desafio é colher recursos suficientes para colocá-los em prática. Juiz de Fora, mesmo tendo registrado em janeiro número de emplacamento menor em relação ao mesmo período do ano passado, já tem uma frota suficiente para gerar retenções, sobretudo na área central. A proposta de mudar os hábitos da população carece de medidas importantes, como melhorar a qualidade do transporte público e as vias de acesso, implicando alternativas para reduzir o tempo de uso.
A construção de viadutos na Avenida Brasil é um avanço significativo, mas é fundamental obter fontes de financiamento para seguir com a construção de meios para ultrapassagem da linha férrea, hoje um dos principais gargalos do município. São vários os pontos de retenção frutos da passagem frequente de trens pela área urbana. É preciso também dar espaço a outros veículos, como as bicicletas, hoje entrincheiradas entre calçadas e carros, colocando seus usuários em risco permanente. A construção de ciclovias tornou-se um desafio para os governantes não apenas pela geografia das cidades, mas também pela falta de recursos. No entanto, além de ser uma atitude politicamente correta, é um alternativa para redução da frota e uso saudável do transporte.
