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Troca de guarda

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Não dá para ficar alheio ao que vai acontecer hoje na maior potência mundial, quando o democrata Barack Obama irá passar a presidência dos Estados Unidos para o republicano Donald Trump. Não será uma simples troca de guarda, pois a posse de hoje significará, também, mudanças de paradigmas de um país que teve uma das mais polêmicas eleições e cujo novo mandatário, em vez da esperança, desperta expectativa e até mesmo apreensão nos adversários e nos parceiros.

Homem de negócios – entre os mais ricos do mundo – e da mídia, tendo sido um apresentador de sucesso na televisão, Trump chega com um discurso conservador, voltado mais para o passado do que para o futuro, sobretudo quando rejeita avanços conquistados pelo dirigente democrata. E não são questões apenas de interesse interno, o que, talvez, não preocupasse tanto o mundo, mas a nova ordem chega questionando valores conquistados após muita discussão, como o acordo ambiental de Kioto, que os EUA levaram anos para endossar, e as políticas de gênero, que avançaram sobremaneira nos últimos oito anos.

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O Brasil, como os demais países da América do Sul, tende a esperar, uma vez que, nem mesmo no ciclo democrata, os olhares americanos se voltaram para os vizinhos do Sul. Mas há preocupações nos negócios se o presidente dos EUA colocar em prática tudo o que falou na campanha, como a volta do protecionismo, que pode afastar investimentos do país. O Itamaraty, que, como os demais ministérios de relações exteriores, não tem certeza do que virá pela frente, já anunciou estar atento à mudança.

O que serve de alento é que, mesmo tendo uma maioria do seu próprio partido, o presidente não terá plenos poderes. O modelo americano é forjado no que a ciência política chama de “check and balance”, que significa equilíbrios de poder. E, ao contrário do que ocorre no Brasil, onde a relação é de puro interesse, lá o viés ideológico é forte, próprio das sólidas democracias.

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