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JOGOS DE PODER

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A eleição do próximo presidente da Câmara dos Deputados é o retrato claro do jogo de poder que se estabeleceu nas relações entre Executivo e Legislativo. Num modelo de coalizão, há uma clara interdependência entre as duas casas. O Governo depende da sua base para levar adiante seus projetos. A base depende do Governo para cumprir suas demandas com o eleitor e com ela mesma. A presidência, a quem cabe orientar a votação das matérias e determinar o fluxo de projetos, tornou-se, então, estratégica.

Faltando menos de 15 dias para a eleição da nova Mesa Diretora, as candidaturas de Eduardo Cunha (PMDB), Arlindo Chinaglia (PT) e Júlio Delgado (PSB) passaram a ser monitoradas pelo Palácio do Planalto, que tem um problema a ser resolvido. Embora sejam os principais pilares da sustentação da presidente Dilma na Câmara, PT e PMDB lançaram candidatos próprios, numa clara demonstração de que a aliança que garantiu a reeleição não é a mesma para a sucessão de Henrique Eduardo Alves. Até por uma questão pessoal, a presidente quer Eduardo Cunha fora de cena, mas ele é, hoje, o candidato mais forte. Problemas à vista.

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O deputado juiz-forano Júlio Delgado, que na última eleição da Mesa levou o pleito para o segundo turno, numa articulação que surpreendeu o Planalto, espera repetir a dose e conta, agora, com o apoio dos tucanos liderados pelo senador Aécio Neves. Os tucanos têm especial interesse na eleição, uma vez que é a forma mais adequada de pressionar o Governo que os derrotou nas urnas de outubro.

É preciso ficar atento ao processo, pois ele é, também, determinante para os próximos passos. Se perder, o Governo ficará refém de um presidente que nem sempre comunga com seus interesses. O jogo já está sendo jogado.

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