Em vez da reforma ministerial – mais na mídia do que no próprio Governo -, a presidente Dilma Rousseff preferiu fazer uma série de reuniões pontuais com sua equipe, a fim de tratar das metas de 2012 e, em algumas pastas, da alternância de nomes. Fará mudanças, mas nada que se compare a uma reforma, já que os que saem, como Fernando Haddad, na Educação, e Iriny Lopes, na Secretaria para Mulheres, o fazem por causa da campanha eleitoral. Serão candidatos a prefeito em São Paulo e em Vitória, respectivamente. Até ministros habitantes do balança mas não cai continuarão nos seus postos, tudo por conta da cota dos partidos, que continua sendo um problema no presidencialismo de coalizão. O chefe de Governo pode até não gostar do trabalho do ministro, mas sempre pensa duas vezes antes de demiti-lo ante o risco de perder o aliado.
Mudar ministros, no entanto, é apenas uma rotina do poder, já que as metas e os programas continuam os mesmos. Esse é o ponto a ser discutido pelo Governo e pela oposição, em vez de ficar fazendo apostas nesse ou naquele nome. A presidente, mesmo com todas as ações em contrário, ainda continuará refém de suas bases, como também foram seus antecessores Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. A dúvida é saber até quando irá essa situação. Em ano eleitoral, as ações políticas tornam-se mais sensíveis, e uma medida fora do tom pode causar ruídos entre os aliados.
A oposição também precisa rever conceitos, pois passou o primeiro ano da atual gestão sem dizer a que veio. Há uma dispersão generalizada que inibe o necessário discurso oposicionista. A queda de braço entre o senador Aécio Neves e o ex-governador José Serra, por exemplo, foi uma bênção para o Governo e um problema a mais para o PSDB, e sem data para terminar.
Enquanto isso, o país carece de mudanças importantes na sua infraestrutura, na Saúde e na Segurança, áreas de investimento intensivo, que não podem esperar nem o Governo se acertar com os aliados nem a oposição ocupar o seu verdadeiro papel.
