Uma das mazelas do jogo político, a despeito de toda a fiscalização pela Justiça Eleitoral, continua sendo a ação dos candidatos compradores de voto, que agem pelo estado afora distribuindo dinheiro em troca de apoio nas urnas. Essa questão se acentua em colégios eleitorais de grande porte, como o de Minas Gerais, com seus 853 municípios. Alguns desses candidatos se dão ao luxo de, a cada eleição, trocar sua área de atuação, para evitar o desgaste e também para não subir o preço. Por isso, é comum acompanhar a performance de lideranças que são votadas em determinados redutos e somem bruscamente no pleito seguinte, aparecendo com votos em territórios estranhos, nos quais sequer apareceram e nem os eleitores os conhecem.
A proposta do deputado Marcus Pestana (PSDB) de estabelecer distritos em estados como Minas, Rio de Janeiro e São Paulo, aprovada na comissão especial que trata da reforma política, é um avanço, uma vez que delimita a ação desses predadores e dá ao eleitor e ao candidato a chance de se conhecerem mais. Além disso, como o próprio parlamentar acentuou nas suas justificativas, é possível fazer o controle social do mandato. Adicione-se, ainda, o custo de campanha, que cai drasticamente em regiões delimitadas.
A proposta, no entanto, tem que enfrentar o plenário da Câmara e do Senado Federal, podendo, pois, sofrer modificações, já que a escala de interesses é bem maior. Sua adoção, sobretudo num território árido de sugestões, deve ser levada em conta. A reforma política tem sido o foco de resistência dos parlamentares, já que entra e sai da pauta sem uma definição. O próprio trabalho é preliminar e não valerá para as eleições do ano que vem, em função de inviabilidades técnicas e políticas e de princípios legais, que estabelecem prazos para mudanças de legislação.
