Nomeado coordenador da comissão especial que vai analisar a reforma política, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) já avisou que ela não vai ser adotada, sequer, em 2014, como queria a presidente Dilma, por meio de plebiscito, e ainda tem dúvida se vai funcionar em 2016. Em suma, trata-se de um trabalho de longo prazo que pode, ao curso de tanto tempo, sofrer substanciais modificações. Os parlamentares, como se nada tivesse acontecido, voltam à velha agenda de ignorar as ruas, mesmo ante a possibilidade de volta das manifestações.
O atual modelo, notoriamente falido, precisa de correções, e o que se propõe, agora, é um banho-maria nas pretensões populares. Algumas mudanças podem ser feitas já, mas os deputados e senadores, como de hábito, preferem fazer suas experiências com vereadores e prefeitos. Daí, a possibilidade de as novas regras só valerem em 2016. Como boa parte da legislação eleitoral prevê um prazo de antecedência de um ano, há consenso de que não é possível mudar. Mas trata-se apenas de uma saída, porque algumas decisões já poderiam valer a partir de 2014, como financiamento de campanha, cláusulas de barreira e fim de coligações proporcionais.
No atual cenário, os partidos de menor porte – a maioria deles sem qualquer viés ideológico – acabam emparedando o Governo com seus pleitos em troca direta de apoio. Muitos são criados em vésperas de eleição para atender a interesses pouco claros, mas que acabam funcionando na composição de chapas. Como é possível coligar, sobrevivem ao voto das ruas e tornam-se apêndice de grandes legendas. A conta vem sempre depois.
