Os protestos que paralisaram as ruas de todo o país, embora difusos, pois não visavam somente às tarifas do transporte público, mas eram também contra a corrupção, em defesa da qualidade do ensino e com críticas aos custos das obras da Copa, além de outros temas, são uma mostra de uma nova conformação das ruas. Com as redes sociais crescendo geometricamente, seu uso tornou-se ferramenta importante de mobilização. Hoje não há mais fronteiras para contatos dos grupos. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, os jovens, sobretudo estes, foram às ruas.
O simbolismo dos atos não se esgotou na última segunda-feira. Haverá outros que, certamente, serão marcados pela rede mundial. E aí, abre-se uma nova frente de discussão. Os políticos sem diálogo com a opinião pública devem colocar as barbas de molho, pois o que se mostra agora certamente ganhará força no período eleitoral. As velhas práticas terão que ser substituídas pela transparência. O diálogo não se restringirá ao palanque, e será preciso se expor mais. O velho cabresto sairá de cena.
Os três últimos pleitos foram ensaios no uso das redes sociais, e já produziram efeitos, mas os políticos devem se preparar para a nova onda. As lideranças acostumadas às velhas práticas de controle, donas de redutos e que fazem uso desmesurado de recursos, devem ficar atentas, pois as ruas dialogam em tempo real, e os jovens, ainda bem, se indignam contra mazelas, a começar pela corrupção, afastando-se da velha postura do deixa para lá. Eles entendem que dá para virar o jogo e atuam para isso. As redes sociais decretaram o fim do conformismo.
Os protestos de hoje lembram a primavera de 1969, embora o país, hoje, tenha dirigentes eleitos pelo voto direto e secreto e a manifestação seja livre. Quando os baderneiros forem afastados de tais manifestações, como, aliás, ocorreu em Juiz de Fora – não houve depredações e nem atos de violência da PM -, um novo espaço de diálogo será criado, e para o qual estão convidados aqueles dispostos a mudar.
