O que leva alguém a comprometer o espaço público com atos de vandalismo, pelos quais não obtém nenhuma vantagem, salvo o mórbido prazer de causar o dano? Na edição de ontem, a Tribuna mostrou na primeira página a ação que culminou na derrubada de dez árvores nativas da Mata Atlântica, plantadas na Estrada Engenheiro Gentil Forn – de acesso ao morro do Cristo. Certamente foi ação de um grupo, pois é nesse contexto que alguns sentimentos afloram ou o covarde se revela. Além dos exemplares, também foram retiradas as grades de proteção. Enquanto alguns lutam pela recuperação do ambiente, outros vão na contramão e tomam atitudes que prejudicam a coletividade. Diversas dessas árvores foram plantadas pelos próprios moradores da Cidade Alta, que de modo recorrente fazem esse serviço, já que não é a primeira vez que as mudas são arrancadas.
O histórico de atos de vandalismo é preocupante, pois ele se manifesta em outras frentes. Em Juiz de Fora, de acordo com a própria operadora, dos seis mil orelhões instalados, cerca de 6% são danificados mensalmente. Só no Centro, como em matéria apresentada pela Tribuna no fim do ano passado, dos 79 telefones instalados, 35 estavam com algum tipo de dano. Não se ganha nada com isso, mas todos os usuários perdem, sobretudo em situações de emergência. O mesmo se vê em espaços públicos, com praças marcadas por pichações e imóveis com algum tipo de comprometimento.
A primeira iniciativa é aumentar a fiscalização, mas, enquanto não houver consciência coletiva, de nada valerão esses esforços. É necessário investir na educação e em campanhas em defesa da cidade. O amor às cidades não se manifesta apenas em discursos, mas, sobretudo em atitudes. Quando se pratica algum ato de vandalismo, a ação não é contra o objeto estragado, mas contra a própria população. Certamente as árvores serão replantadas, pois elas têm um significado ambiental expressivo, mas até quando se justifica essa queda de braço contra os que rejeitam o próprio espaço em que vivem, ou pelo qual passam?
