Ícone do site Tribuna de Minas

VEREDICTO DAS RUAS

PUBLICIDADE

A condenação de Lindemberg Alves a 98 anos de prisão, por ter matado a ex-namorada Eloá Pimentel, era o tipo de decisão previamente anunciada. Crimes de grande visibilidade entram no inconsciente coletivo e, de pronto, forja-se uma sentença. Mesmo com todas as garantias dadas aos réus e com o amplo direito de defesa, na maioria das vezes o veredicto é um só: a punição. Foi assim em outras ocasiões e, mais recentemente, no caso Nardoni. O casal já está cumprindo pena a despeito da alegação de inocência. É fato que poucos se declaram culpados, mas, onde a emoção supera a razão, as provas costumam ser colocadas de lado, prevalecendo o viés circunstancial. Após a sentença, houve quem questionasse o papel do júri popular, sob o argumento de se tratar de uma câmara passível de manipulação. Mas há controvérsias, pois um corpo de jurados também formado por especialistas incorreria no risco de se deter na lei e esquecer as circunstâncias do fato.

A opinião pública deve ser avaliada de forma distinta dos jurados, que são instruídos, recebem orientações na hora de votar e acompanham os debates envolvendo defesa e acusação. Nas ruas, a emoção prevalece, sobretudo, pela catarse que tais eventos significam, potencializada pela mídia. Condenar um Lindemberg ou um Nardoni não é um jogo em que eles são o foco principal, e sim um protesto pelas demais ações que nunca são resolvidas. O povo se indigna, sim, com a impunidade, com as sucessivas medidas protelatórias do andar de cima, que raramente senta no banco dos réus, ou contra os políticos que sempre acham uma saída para absolver os seus pares.

PUBLICIDADE

Quando prevalecer o princípio da isonomia legal em que sentar no banco dos réus será uma mera formalidade para quem desrespeita a lei, as manifestações de rua sairão de cena. Mas trata-se apenas de uma aspiração, já que a realidade é outra. Notórios casos de infração, dependendo da capacidade do réu, levam anos para uma sentença definitiva, mesmo em situação de confissão pública, como foi o caso do jornalista Pimenta Neves, que matou a namorada pelas costas e assumiu a culpa. Com potencial financeiro suficiente para contratar os melhores advogados, ficou mais de dez anos longe do cárcere. O mensalão ocorreu há quase sete anos e só agora deve entrar na pauta do plenário do Supremo Tribunal Federal, deixando a impressão de justiças diferentes. Por isso, quando pode, o povo condena, mesmo diante de provas que não se sustentam.

Sair da versão mobile