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ISSO É ARTE?

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A Rua São Mateus, para ficar só nesse exemplo, tornou-se um corredor de pichação. Na edição de ontem, a Tribuna apontou casos de residências e prédios vandalizados afetados por esse tipo de pintura. Numa dessas situações, em menos de uma semana, os pichadores deixaram sua marca por três vezes, levando o síndico a se sentir “impotente, agredido e assaltado”. Os autores consideram que isso é arte, mas quem paga a conta para cobrir o dano pensa outra coisa. Crime de menor potencial, a pichação pode até ser uma forma de expressão ou manifestação daqueles que se sentem estranhos ao meio, mas não se justifica quando afeta o direito de terceiros.

A polícia admitiu que não investiga nenhum caso no momento por falta de provas e pelo estilo noturno dos pichadores, mas como ficou a situação dos personagens flagrados em plena execução de tais atos em outras ocasiões? Identificados, passaram por inquérito, mas pouco se sabem das penas aplicadas. E não se trata de prisão, pois o cárcere, em vez de recuperação, é um agravante, sobretudo num cenário em que as políticas de recuperação são precárias, e as condições de abrigo dos presos – a despeito de seus crimes -, desumanas.

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Para situações de menor risco social, a solução adequada seria de esclarecimento e penalização pecuniária. O autor da pichação, ou seus responsáveis, deveria ficar com a conta da recuperação do espaço comprometido. O bolso costuma ser a parte mais sensível, como ora ocorre com os envolvidos no escândalo da Petrobras, que não se assustam com as prisões, pois criam meios de torná-las espaços de conforto, mas lamentam profundamente a obrigação de devolver o que sacaram ilicitamente dos cofres públicos.

Ouvidos pelo jornal, alguns profissionais dizem que os pichadores explicitam uma linguagem própria, verbalizando um comportamento em que querem ser notados. E são, mas é fundamental estabelecer limites, a começar pelo direito dos demais. Não faz sentido uma pessoa querer ser vista comprometendo o bem dos demais. Aí, não é arte. É vandalismo mesmo.

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