A prisão de empresários do setor pesado das construtoras e de mais um dirigente da Petrobras estabelece a lógica dos fatos, uma vez que, em quase todos incidentes de corrupção, sempre a parte passiva tem ido para a cadeia, mesmo assim por um certo tempo apenas. Desta vez, o polo ativo também está se explicando em juízo e atrás das grades. Afinal, se há pessoas corrompidas é porque há quem as corrompa.
Em todos os episódios recentes faltava esse elo. A sociedade, por mais de uma vez, perguntou de onde vem tanto dinheiro para abastecer esse submundo. Agora, começam a surgir as primeiras luzes. Resta saber até onde a corda vai esticar, já que é notório que há outras fontes que ainda estão no anonimato. A Polícia Federal comemorou, pois há muito tempo monitora esses agentes ativos sem respaldo para chamá-los ao processo. As delações premiadas de Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef fizeram o esperado link.
Os danos, porém, são bem mais amplos e só estão começando. O uso político da Petrobras, que também alcançou outros governos, se mostra perverso para a maior empresa brasileira, ora sob descrédito no mercado internacional. Neste caso, a presidente Dilma Rousseff tem que agir rapidamente, a fim de proteger a estatal na qual giram os maiores recursos do país. Seu primeiro passo é desmobilizar os agentes políticos que nela estão incrustados, fruto de indicações de partidos interessados no rateio do dinheiro público.
O que ora se revela é apenas uma face do patrimonialismo que tem perpassado a vida nacional. A deliberada confusão entre público e privado devastou o caixa da Petrobras e de outros setores. Se nada for feito, deixará a Petrobras apenas como um arremedo da grande empresa petrolífera do país.
