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Não pode haver recuos

editorial
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Em mais um round das investigações, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informou que vai investigar a contratação do laboratório Patologia Clínica Doutor Saleme pelo Governo do estado, encaminhando o caso para os promotores de Justiça e Cidadania. A essa informação soma-se a denúncia de que, desde que a Secretaria de Saúde soube dos exames, em setembro, com falso negativo para HIV, que levaram à infecção de seis transplantados, o laboratório que fez os laudos recebeu R$ 875 mil do Governo. A Fundação Saúde, por meio de nota, garantiu que não foi realizado pagamento após 1º de outubro.

  As investigações devem ser levadas ao limite, para se estabelecerem responsabilidades de envolvidos diretos e indiretos, uma vez que não foi um simples erro de exame que mudou a vida de seis pessoas. As causas desse “erro” também devem ser apuradas por conta da suspeita de uma série de fatos que permeiam o noticiário nos últimos dias. O jogo político que tangencia os fatos também é preocupante, pela possibilidade de se replicar não apenas no Rio de Janeiro, mas também nos demais entes federados: o envolvimento de acordos que podem colocar em risco a população.

  No entanto, é necessário haver responsabilidade na investigação e na divulgação, para evitar a demonização do programa de implantes do Brasil, considerado um dos mais seguros e eficientes do mundo. Por conta de um problema isolado, como se espera, colocar em xeque toda uma política de doação de órgãos e de transplante.

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  O Brasil tem avançado sobremaneira nesse processo, que tem salvado vidas pelo país afora. O que houve no Rio não pode, em hipótese alguma, servir de motivo para desaceleração dos programas e, muito menos, implantar ceticismo na opinião pública.

  A Tribuna tem mostrado o aumento das doações e os resultados desse processo. No caso local, Juiz de Fora é uma referência em transplante e tem metas de ampliar ainda mais esse trabalho.

  As redes sociais têm sido espaço para disseminação de notícias falsas, daí a necessidade de se estabelecerem redes de informação capazes de consolidar as ações que são desenvolvidas em todo o país. Em vez do passo atrás, se faz mister, também, mostrar à população a importância da doação.

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  Aos envolvidos em mazelas como as do Rio deve ser imputada dura penalização não apenas pela obrigação de punir, mas também pelo viés pedagógico. Por outro lado, é fundamental apontar que tal episódio não reflete o intenso trabalho que elevou o país a posições de ponta no ranking mundial.

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