A força-tarefa instaurada pelas polícias Civil e Militar, que na última quinta-feira desbaratou o grupo que matou duas pessoas na Uaps de Santa Rita, e com implicações em outros crimes na região Sudeste da cidade, deveria ser uma constante, a fim de garantir à sociedade uma resposta pronta do Estado, apontando que todos estão abaixo da lei. Hoje, num cenário de impunidade e de tantas mazelas, há segmentos que se consideram donos de corações e mentes da comunidade, agindo à revelia da norma legal. A ousadia ao matar um homem no posto de atendimento, e tirar a vida de um inocente que estava no lugar errado e na hora errada, é prova material desse ciclo de insanidades.
O caso da Uaps foi emblemático por envolver uma vítima que não tinha nada com o ciclo de confrontos do grupo, mas outras tantas continuam na linha de tiro desse cenário de enfrentamento, em que o mote é ora por conta da luta de galeras, ora por tráfico de drogas. O problema é mais grave, pois não se restringe àqueles que estão diretamente envolvidos nessa guerra urbana. Em regiões críticas, a população fica à mercê da própria sorte, pois há sempre o risco de uma bala perdida.
Quando assumiu a Delegacia de Homicídios, o delegado Rodrigo Rolli garantiu que a história seria revertida. Que assim seja, sobretudo se houver, de fato e permanente, o trabalho conjunto das forças de segurança. Unidas, certamente darão a resposta adequada aos chamados donos das ruas mesmo quando não há investimentos suficientes do estado. A Secretaria de Defesa Social insiste em manter Juiz de Fora distante do programa “Fica vivo” – de combate a homicídios – por entender que não há índices de ocorrências. Que as polícias, então, mesmo paradoxalmente, impeçam a cidade de chegar a tais níveis.
