O ministro do Esporte, Orlando Silva, certamente conhece a máxima: Ao meu rei tudo, menos a honra, e prometeu que, mesmo fora do primeiro escalão do Governo, vai provar que não tinha nada com as falcatruas denunciadas pela mídia e que culminaram com a sua demissão. Tem o benefício da dúvida e, diante de tanta certeza, deve mesmo lutar para limpar o seu nome, mas sua permanência há muito deixou de ser apenas uma questão de fez ou não fez. Desde as primeiras publicações, ele passou a ser um homem marcado para sair, pois é assim que funciona a estrutura de poder, com exceção do período Lula, quando o ex-presidente fazia questão de manter os seus, sendo acusados ou não.
Orlando, como foi avaliado nesse mesmo espaço, sangrou até o fim, pois entendia sua capitulação como um ato de confissão, mas, a essa altura do campeonato, sua permanência tornou-se um problema para o Governo e para o próprio PCdoB. E aí a solidariedade dos pares passou para o homem, mas não para o ministro. Vida que segue. Ele vai continuar sua jornada para provar sua inocência, e a legenda continuará à frente da pasta, mesmo sob os olhos de cobiça das demais siglas da base aliada, especialmente PT e PMDB, que, em sendo as de maior expressão, se sentem habilitadas a assumir o posto, agora a menina dos olhos da presidente.
A questão central, no entanto, é saber se a saída do ministro vai, também, encerrar a discussão sobre os acordos firmados com ONGs e as denúncias de ilícitos em diversos programas. O que se espera, agora, é pacificação da pasta e apuração até o fim dos danos causados aos cofres públicos. Caso contrário, será apenas a retirada do sofá da sala enquanto o problema central permanece.
