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VOZ DAS RUAS

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A queda da popularidade da presidente Dilma Rousseff e de seu Governo, apresentada em pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes, não surpreende e deve ser avaliada sob o viés pedagógico. Diante de manifestações apolíticas, não havia como esperar resultado melhor, sobretudo por ser a presidente o ponto de referência de todas as medidas, sejam elas para o bem ou para o mal. Se ficasse em silêncio, seria questionada por omissão; como agiu, a crítica se manifestou pela forma atabalhoada de sua equipe, que apresentou sugestões sem ouvir, sobretudo, os aliados. Esses desencontros deram uma imagem de ineficiência que se reverbera nos números. É necessário ressaltar, porém, que, se a CNT/MDA também avaliasse o Congresso, os números poderiam ser piores, pois os políticos foram o alvo principal das ruas.

O lado pedagógico se prende aos próximos passos. O Governo não pode ter a ilusão de voltar aos antigos patamares, pois se trata de uma meta difícil, já que a oposição, aguçada pela campanha eleitoral, vai tentar ao extremo a desqualificação da atual administração. O ideal é colocar em dia a longa pauta de medidas que deveriam ser tomadas e domar a inflação. A economia continua sendo o grande vetor das demais instâncias. Se ela vai bem, todos vão bem, inclusive a democracia. Por outro lado, se a inflação – que a equipe econômica diz estar sob controle – não melhorar, aí, sim, a luz amarela vai acender, criando, também, o cenário inevitável do volta, Lula, mantra já executado por diversas instâncias políticas e empresariais.

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A oposição, por seu turno, mesmo diante de tal queda, não tem o que comemorar, já que os jovens que foram às ruas não endossaram nenhuma bandeira. Preferiram colocar em xeque os políticos de modo geral. Desta forma, ninguém ganha, mas todos perdem se insistirem em medidas paliativas ou contrárias ao sentimento popular. Ao retomar o projeto de reduzir as restrições aos gastos eleitorais, por exemplo, Câmara e Senado querem menos fiscalização, indicando que não aprenderam nada com as manifestações, pois atuam na contramão das evidências, preferindo o confronto à conciliação.

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