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PELA RECUPERAÇÃO

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No filme Bicho de sete cabeças, o ator Rodrigo Santoro dá vida a milhares de pessoas pelo país afora que foram internadas compulsoriamente em manicômios por causa dos transtornos que causavam às famílias e à sociedade. Há notórios personagens, como o escritor Paulo Coelho, que passaram por essa experiência, mas é preciso separar épocas e episódios. Hoje, não só no Congresso, como também em outras instâncias de poder, discute-se o internamento de dependentes químicos sem carecer de sua autorização, por entender ser a única forma de colocá-los em tratamento.

Trata-se de uma questão a ser discutida, mas censurá-la de plano é desconhecer os termos desse novo pacto. O internamento, ao contrário de outras épocas, deve passar pelas instâncias judiciais, o que já dá garantias de que não haverá arbitrariedades familiares, como as que levaram Paulo Coelho para o cárcere hospitalar. Sua experiência é retratada no filme, sendo sua vida no hospital fruto da intolerância familiar. Hoje, é preciso provas médicas e autorização de um juiz togado para a internação, embora esta possa vir numa fase posterior. Os críticos entendem que os índices de remissão são baixíssimos, não havendo razão para tal medida.

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Como nem sempre há interesse dos dependentes em se submeterem ao tratamento, por acharem que têm a situação sob controle – é um discurso recorrente -, as famílias ganharam o respaldo da lei para tomar a iniciativa, mas é vital avaliar as condições dos órgãos de atendimento. Há, por decisão governamental, clínicas especializadas no tratamento. Foi um avanço, sobretudo num momento em que a sociedade, sem ainda saber como enfrentar o tráfico e o consumo, tem uma alternativa para curar aqueles que desejam e aqueles que são indicados pela própria família.

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