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VAIAS E PALMAS

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Nos últimos dias, inclusive em Juiz de Fora, onde milhares de pessoas foram reunidas, o povo tem ido às ruas para se manifestar, ora contra os reajustes nos preços das passagens, ora contra os custos das obras dos estádios, mas a agenda foi ampliada, dando margem a uma série de protestos. Como lembrou a coordenadora do Movimento Passe Livre, de São Paulo, Mayara Vivian, é possível ser qualquer pessoa, numa clara alusão aos diversos gestos que aglutinam massas pelas metrópoles. O protesto também se expande para outras ações, como a vaia dada à presidente Dilma no último sábado, quando ela abriu a Copa das Confederações, ao lado do presidente da FIFA, Joseph Blatter, que também sofreu as mesmas consequências.

No caso da presidente, porém, é prematuro ligar a vaia à queda de sua popularidade e aos pruridos de inflação. Num ciclo em que o protesto torna-se endêmico, pode se questionar tudo e não apenas determinados temas. Em estádio de futebol, a vaia faz parte do ritual não só do próprio jogo, quando o time vai mal, mas também ao juiz e a outros atores de relevância. Quando enfrentou Fernando Collor, em 1989, o ex-presidente Lula foi ao Estádio do Morumbi para assistir à final do Campeonato Brasileiro. Foi vaiado. Já no poder, passou pelo mesmo constrangimento na abertura dos Jogos Pan-Americanos, no Engenhão. Nem por isso deixou de eleger a sua sucessora.

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Não há também meios de se ligarem os episódios dos estádios com a questão eleitoral. O povo está distante das eleições, que, na verdade, só estão na agenda dos políticos. Mesmo que alguns protestos explicitem descontentamento com atos oficiais, como a inflação ou até mesmo o preço das passagens, nada garante que ele vá mudar de voto. O que está em jogo, agora, são demandas imediatas, que incomodam o cidadão na sua rotina, sendo, pois, as ruas – sem vandalismo – o melhor espaço para explicitá-las.Quanto à política, o jogo ainda não está sendo jogado, salvo nos bastidores, onde os políticos e os partidos têm arranjos próprios.

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