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EM BANHO-MARIA

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Sempre que se trata de comissões parlamentares de inquérito, é recorrente afirmar que todos sabem como elas começam, mas ninguém prevê o seu desfecho. No caso da CPI do Cachoeira, é possível inferir que ela vai terminar numa grande pizza, tal o rumo que está tomando já na sua fase inicial. Ontem, os participantes livraram governadores e parlamentares da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico e de serem convocados a explicar suas relações com o empresário da contravenção Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A empreiteira Delta, apontada pela Polícia Federal como braço financeiro do esquema, também não terá seus sigilos quebrados nacionalmente. Por falta de indícios, as investigações se restringirão apenas à sucursal do Centro-Oeste.

Depois de perceberem que estavam todos dentro do mesmo saco, os partidos mudaram o tom. Se, antes da instalação, o discurso era de investigação ampla geral e irrestrita – doa a quem doer -, tão logo foram envolvidos os governadores Marconi Perillo (PSDB), Agnelo Queiroz (PT) e Sérgio Cabral (PMDB), representantes das três maiores legendas, o tom mudou. Num primeiro momento, o foco voltou-se para o procurador-geral da República, que não atendeu a um pleito da Polícia Federal, mas aí também entrou em campo a operação abafa: Roberto Gurgel ganhou cinco dias de prazo para responder por escrito algumas questões.

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O que começou com fogo alto está, agora, em pleno banho-maria, com a perspectiva de somente sair punido o senador Demóstenes Torres, já sob fritura no Conselho de Ética do Senado e condenado pela opinião pública. Num filme em que não há mocinhos, as questões centrais estão sendo retiradas da pauta. Cachoeira é carta fora do baralho, e os governadores deverão, quando muito, sofrer algum tipo de reprimenda. No mais, como temas centrais para os próximos meses, fica a expectativa do mensalão, a ser julgado pelo Supremo – se for possível antes do recesso – e as eleições. Estas, sim, com chances de muitas emoções, a começar por Juiz de Fora.

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