Números que ajudam a dimensionar o tamanho da tragédia em Juiz de Fora têm sido estimados e apresentados nos últimos dias, neste início de longa reconstrução que Juiz de Fora vive. Nesta esteira, na manhã da terça-feira (17), houve um pronunciamento da prefeita Margarida Salomão (PT) com mais estatísticas e ações divulgadas. Antes de citar alguns dos impactos, é imprescindível reiterar a ajuda humanitária destacada no evento: 502 toneladas de donativos foram arrecadadas. A base é a humanidade.
De volta à realidade de milhares de juiz-foranos, houve a recordação do volume das chuvas entre 22 e 28 de fevereiro – 316 milímetros; e o recorde histórico do mês, de 763,8 mm, em uma contextualização de um cenário jamais visto na cidade. Mil e oito moradias foram completamente destruídas, enquanto 928 unidades habitacionais sofreram interdições, com 8.880 pessoas desalojadas.
Por óbvio, não há uma balança de dados, necessidade de dar peso em algum tipo de informação, mas, chegando na avaliação central desta proposição, é um diagnóstico de urgência saber que 124.766 pessoas vivem ou viviam em áreas de risco geológico em Juiz de Fora, enquanto 10.996 têm moradia em locais onde há constatado risco hidrológico. A situação está muito distante de ser controlada.
Evidente que os anúncios dos auxílios-calamidade a nível municipal e federal são fundamentais – com mais de R$ 8 mil às famílias atingidas, bem como a antecipação de benefícios. Mas a burocracia só estende a dor e espera-se que as dificuldades não sejam mais obstáculos para o mínimo: que cada família tenha de volta sua dignidade e uma moradia definitiva.
Para esta reconstrução, a mais importante, inclusive, os números não somam. O marco financeiro idealizado, estimado em R$ 1 bilhão, não pode ofuscar a urgência do amparo individual. O suporte emocional deve ser lei cumprida. O papel da Prefeitura e dos governos estadual e federal deve ser o de traduzir verba em presença humana e segurança.
Neste sentido, o apoio humano e psicológico deve caminhar lado a lado com os investimentos em infraestrutura. Juiz de Fora só estará plenamente recuperada quando seus moradores voltarem a confiar no solo que pisam. E isso demora, infelizmente.
Mas tem ações que podem simbolizar a celeridade necessária, como as obras no Bairro Industrial. Elas são a prova de que a engenharia precisa correr contra o tempo; o auxílio financeiro é o remédio para hoje, mas a obra concluída é a cura para o medo das próximas chuvas.
Cada ação humanitária deve ser multiplicada em divulgação. Os números importam, mas que sejam, daqui para frente, de ações e afeto.

