Já na noite de domingo, após os protestos pelas ruas do país, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, introduziu uma nova peça no vocabulário oficial: o diálogo. O termo foi reforçado pela presidente Dilma Rousseff, no dia seguinte, não apenas durante discurso mas também na inédita entrevista coletiva concedida à imprensa. Reconheceu excessos em algumas medidas e conclamou os “interessados em dialogar” para uma discussão sobre o país.
A iniciativa é boa, mas falta um dado: dialogar com quem? O movimento que foi às ruas deliberadamente não teve porta-vozes formais – como já havia acontecido em junho de 2013. Partidos e políticos foram colocados à parte, e outros, de moto próprio, não se apresentaram. O próximo passo, pois, é criar esses interlocutores, sob o risco de o movimento ficar sem desdobramentos. A via mais adequada passa pelos partidos, desde que esses também se disponham, de fato, a interpretar o interesse popular, sem olharem exclusivamente para o próprio umbigo.
Tal qual o novo Código de Processo Civil, sancionado pela presidente, que prevê a conciliação como audiência inaugural, é preciso conciliar o país, mas isso não se faz apenas com discursos ou promessas. Desta vez, apesar de atos pacíficos, a manifestação foi muito mais intensa, o que faz dela um momento que não pode e nem deve ser ignorado.
