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PONTO NA CURVA

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O Governo prometeu até abril encaminhar ao Congresso um projeto de reforma da Previdência Social. A oposição sinalizou que se for, de fato, sério, irá participar da discussão com olhar voltado para o futuro e não irá se colocar contra pelo simples fato de estar do outro lado do balcão, mas só vai se posicionar depois de ler o texto. Entidades sindicais já anteciparam que são contra, pois temem pela perda de direitos dos trabalhadores, sobretudo num momento em que o corte de gastos tem sido a palavra de ordem em todas as instâncias e o desemprego está cada vez maior.

A reforma da Previdência é o ponto na curva nas discussões que se sucedem ao longo dos anos. Todos sabem que é preciso mexer no atual modelo, mas ninguém sabe o que pode ser feito sem comprometer os futuros beneficiários. As previsões otimistas são de longo prazo, mas os analistas, de modo geral, consideram que, se nada for feito, ela quebra no curto prazo. E aí, como é que fica? Até em países desenvolvidos os benefícios são tema de discussão, por conta dos custos que se elevam. Com a longevidade aumentando, a massa de beneficiários cresce mais do que a de contribuintes, gerando um desequilíbrio nas contas. O Brasil vive a mesma situação não apenas no setor privado mas também no serviço público. Estados e municípios, principalmente, já não sabem de onde tirar recursos para pagar os benefícios.

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Com tantas demandas pela frente, o Congresso ganha essa nova pauta, que deve ser inserida entre as prioridades, pois a Previdência, hoje, é um dos fatores mais agudos nas despesas do Estado. A questão a se saber é até que ponto o Planalto vai esticar a corda e como vão se portar deputados e senadores. Os políticos, mesmo sabendo da gravidade do tema e de sua necessária discussão, tendem a jogar para a arquibancada. E este é um dos pontos críticos: a reforma, certamente, irá desagradar a muitos, mas, se nada for feito, em curto prazo, todos correm o risco de perder.

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