Foi emblemática a entrevista dos delegados José Walter Mattos, chefe do 4º Departamento da Polícia Civil, e Sheila Mattos, delegada regional, concedida à Tribuna, quando fizeram um relato completo das ações de segurança, as precariedades da própria polícia e o papel de outros organismos na política de segurança pública. No seu entendimento, e é fato, não basta prender, quando há toda uma cadeia de processos que precisa ser levada em conta. Uma queixa recorrente dos policiais, incluindo-se aí os militares, é a de se defrontarem com bandidos cuja prisão fizeram dias antes. Em muitos casos, a liberdade se faz pelo excesso de prazos ou até mesmo pela falta de condições para abrigar aqueles que estão fora da lei.
A solução, pois, passa por várias etapas, começando pela melhoria das condições de trabalho dos agentes, hoje em número aquém da necessidade de uma cidade com quase 600 mil habitantes, chegando até a matriz do problema: a família. Lares desestruturados geram jovens que desconhecem limites, envolvidos pelo apelo do tráfico e pelo mimetismo da moda. Para essas questões, não basta a polícia.
Juiz de Fora não é um cenário único, bastando ver o noticiário pródigo em apontar carências do sistema. O Código Penal Brasileiro é de 1940, e as poucas mudanças não acompanham os novos tempos. Os menores de 18 anos em conflito com a lei são resultado desse conjunto de demandas não resolvidas. A cidade tem um Centro de Ressocialização que se tornou, de fato, uma prisão, e não um espaço para reinserção social. Ademais, não abriga meninas, embora hoje elas também se destaquem nas estatísticas do crime.
São desafios que deveriam estar na pauta dos governos há tempos, mas que só voltam ao noticiário quando há casos que chamam a atenção coletiva, ou quando mudam os mandatários, ocasião em que o novo dirigente anuncia uma série de medidas. Mas não basta esperar para ver. É preciso cobrar.
