Durante entrevista à Tribuna, quando se discutia a gentrificação, destaque da edição deste domingo, lideranças do setor da construção civil, engenheiros, arquitetos e representantes de entidades representativas, como o IAB e a Universidade Federal de Juiz de Fora, colocaram na pauta outra questão: a revisão do Código de Obras da cidade. Com artigos em excesso, ele tem o mesmo vício de outras legislações, inclusive da Constituição Federal, de ter artigos demais, que acabam comprometendo a sua própria execução. Os detalhes deveriam ser contemplados pela legislação ordinária.
Há sentido no argumento, pois o país, nas suas várias instâncias, não peca pela falta de leis, mas pela diversidade, que acaba comprometendo projetos de desenvolvimento importantes. No meio de colinas, Juiz de Fora precisa se adequar a essa realidade, ao mesmo tempo em que deve acompanhar uma tendência que já faz parte das novas discussões sobre o espaço urbano: manter trabalho e residência próximos, a fim de facilitar a mobilidade, que hoje é um dos principais gargalos da modernidade tardia.
As metrópoles, e até as cidades de porte médio, como é o caso de Juiz de Fora, vivem o drama diário de locomoção das massas urbanas, com um sistema de transporte que não dá conta do fluxo crescente. São Paulo, a maior e mais rica cidade, tem ampliações frequentes de sua rede, mas nem assim o paulistano escapa da síndrome da sardinha, movimentando-se diariamente enlatado em ônibus e metrôs. E por muito tempo.
Os projetos de longo prazo, nos quais se fazem projeções para 20 ou mais anos, apontam para uma mudança de rota. O emprego e a residência têm que estar próximos. E o que se espera com debates, como o que a Tribuna mostra hoje, é que os atores desse processo estejam com os olhos voltados para esse futuro.
