Nas últimas horas, pelo menos em duas oportunidades, a presidente Dilma Rousseff e a ex-ministra Marina Silva trocaram críticas. A presidente, reagindo ao que a representante do PSB disse sobre a economia, garantiu que está tudo bem, a começar pela inflação, ora sob controle. Marina, por sua vez, diz não tolerar uma reeleição da chefe do Governo, pois significaria mais quatro anos de refém do Congresso Nacional, numa alusão aos acordos que o Executivo tem que fazer para manter sua base na Câmara e no Senado. Ao que tudo indica, ambas subiram no palanque e se escolheram mutuamente para fazer o debate sucessório. Nesse processo, ficam à margem os demais candidatos, como Aécio Neves e o próprio Eduardo Campos, que está cedendo o protagonismo para sua eventual vice no pleito de 2014.
Se for uma opção deliberada, ou tática política, como apontam os primeiros indícios, ambas deram o que os comentaristas esportivos chamam de nó tático nos demais participantes da corrida sucessória. Basta acompanhar o noticiário para vê-las dividindo as páginas dos jornais, os horários da mídia eletrônica – rádio e televisão – ou as redes sociais. Recentemente, a presidente esteve no Programa do Ratinho. Marina abriu a semana no divã de Jô Soares. Mais visibilidade do que isso, impossível.
Pelas evidências, não há como dizer que a campanha eleitoral só vai ocorrer no ano que vem. A novidade é a mudança dos atores, a despeito de os demais estarem no jogo. Na elaboração desse cenário, os meios de comunicação também têm papel relevante, pois optam por candidatos que garantam suas audiências, e Dilma e Marina são a bola da vez, embora possa não ser uma situação definitiva.
