Por muitos anos, a Zona Rural era considerada um espaço lúdico pelas próprias peculiaridades: o tempo passava lentamente, a insegurança era uma questão que só se via por informações, e o convívio era rotina entre as famílias. Os tempos são outros. A disseminação do crack pelo país afora, com espantosos índices de crescimento de consumo – ele é encontrado em 98% das cidades brasileiras -, estabeleceu o equilíbrio entre o campo e as cidades. Ambos, agora, estão sujeitos à mesma situação.
Na edição de ontem, a Tribuna revelou a onda de furtos e roubos que leva medo à Zona Rural. Tal fato reforça ainda mais o êxodo que o desenvolvimento provocou. Ninguém quer ficar no campo ante a falta de emprego e, agora, também pela insegurança. Os efetivos policiais são precários, abrindo vantagem para os criminosos que agem com certeza de impunidade. Em algumas situações, proprietários rurais que tiveram seus bens furtados criaram seus próprios mecanismos de investigação para recuperá-los.
Na sua próxima edição, programada para o dia 19, o Fórum de Segurança a ser realizado em Juiz de Fora poderia abrir uma de suas janelas para essa questão. O número de ocorrências é expressivo, e há muitos outros casos que sequer são relatados pelas vítimas. Morar no campo passou de sonho a pesadelo.
Boa parte desses crimes tem associação direta com as drogas, uma vez que seus autores tentam fazer renda para sustentar o vício, mas há casos graves de grupos organizados que agem com extrema ousadia. Levam equipamentos de grande porte, como tratores, certos de que não serão importunados. Esta é mais uma frente de problemas que o país enfrenta, pois o que seria próprio das metrópoles tornou-se, também, uma demanda do campo.
