Desde 2008, a Tribuna tem feito visitas frequentes à BR-040, no trecho que liga Juiz de Fora a Belo Horizonte. Nas pelo menos cinco viagens, o cenário de medo é o mesmo, e o jogo de palavras também. Trata-se de uma das principais vias do país, que, no entanto, tem sido colocada em segundo plano pelo Governo. Durante esse período, foram muitas as promessas que não saíram do papel. Enquanto isso, as estatísticas confirmam o risco permanente para quem passa, sobretudo, em trechos apontados pela reportagem como extremamente críticos, a começar por Ewbank da Câmara, onde os radares indicando velocidade máxima de 30 quilômetros são verdadeiras armadilhas, e Santos Dumont, com quatro viadutos em curva que já ceifaram dezenas de vidas. Construídos em 1964, isto é, há quase 50 anos, têm a mesma conformação, a despeito de o fluxo de veículos ser outro.
Trata-se de um jogo de empurra que vence administrações. A Assembleia Legislativa já criou diversas comissões especiais para tratar do tema, enquanto os políticos, em atitudes isoladas, insistem nos discursos pedindo solução. A privatização, que seria uma última alternativa, ainda não tem prazo para editais e nem nomes de possíveis interessados. O Governo de Minas chegou a propor estadualizar o trecho mineiro, ficando, em contrapartida, com os recursos da Cide, taxa que usuários pagam para conservação de vias. A questão foi rechaçada.
O que chama a atenção é a ineficiência das instâncias políticas em convencer o Ministério dos Transportes. Os diversos ministros que transitaram pela pasta conheceram de perto os riscos, mas, sob o recorrente argumento de falta de recursos, pouco fizeram. A estrada continua com sinalização precária, não tem acostamento, e as curvas são sempre um desafio. Entre Conselheiro Lafaiete e o trevo para Ouro Preto há o agravante dos caminhões das mineradoras. Lama e poeira – dependendo das condições do tempo – produzem o mesmo efeito de instabilidade de visão, pois o fluxo é intenso e sem controle.
Se o esperado leilão não tiver interessados, a situação será pior, pois o Dnit, a quem cabe cuidar da infraestrutura, já demonstrou que a BR-040 não está entre suas prioridades. Talvez só no discurso.
