Os bastidores da política nem sempre fazem a mesma leitura dos fatos que a opinião pública ou que a própria mídia. Por isso, a influência do senador José Sarney no Governo federal incomoda mais as ruas do que os titulares do poder. Ele foi parceiro do tucano Fernando Henrique, exaltado por Lula como companheiro e referendado pela presidente Dilma Rousseff, que só trocou de afilhado no preenchimento do Ministério do Turismo.
O presidencialismo de coalizão, que no Brasil funciona mais no toma lá, dá cá – embora a presidente não goste da expressão -, ainda carece de uma discussão profunda. Seu formato faz dos governantes reféns dos partidos; e estes, dependentes do Estado para levar adiante suas metas. Assim, a presidente, que prefere técnicos a políticos em cargos de confiança, teve que ceder mais uma vez para montar seu primeiro escalão.
As legendas, por seu turno, dependem dos cargos oficiais para atender ao pleito de suas bases. O jogo chega ao limite, como na indicação do sucessor de Pedro Novais. Ante o impasse interno, o partido disse à presidente que poderia pescar qualquer um dos 80 deputados. E onde entra a competência?
Os projetos que tratam da reforma política não contemplam uma possível mudança, mas ela até poderia ser feita se não houvesse a cessão tão fácil às pressões. Quando a presidente endureceu o jogo no Ministério dos Transportes, mudou toda a estrutura, e os partidos que o ocupavam se silenciaram. Com o PMDB, o principal aliado e que tem o vice-presidente da República, a conversa foi outra, voltando tudo como era antes.
