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MORDE E ASSOPRA

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Ao fazer ontem um balanço do trabalho do Congresso nos seis primeiros meses do ano, o senador José Sarney se gabou ao dizer que tanto o Senado quanto a Câmara Federal não foram responsáveis pelas crises que marcaram o cenário político neste primeiro semestre: Não tivemos nenhuma crise nascida aqui dentro do Congresso. Todas elas ocorreram no Poder Executivo, afirmou. Mas, depois de dar uma no cravo, deu outra na ferradura ao enfatizar que a presidente Dilma Rousseff conseguiu gerir essas crises com propriedade e competência. Aí nós vamos verificar o estilo da nova presidente. Ela agiu com absoluta rapidez em todas as denúncias ou coisas que apareceram, amenizou.

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As declarações do senador, embora tenham conotação de morde e assopra, são esclarecedoras do jogo político envolvendo as duas Casas. Ele admite os problemas na governança com escândalos de quebra de confiança nas ações impetradas dentro do Ministério dos Transportes, culminando com a queda de toda a cúpula do Dnit e pedido de demissão do ministro, mas não considera que a instância que dirige tenha responsabilidades. O problema, no entanto, não é, como tenta dizer o senador, exclusivo do Executivo. A crise é resultado das relações perigosas entre as duas Casas. Os partidos da base aliada têm papel fundamental no episódio, pois é a partir das demandas dos parlamentares que ocorrem atropelamento de prazos e concorrências mal explicadas.

O sistema político brasileiro dá margem a esse relacionamento, no qual os aliados, como compensação por aprovar as propostas do Executivo, mandam a conta, nem sempre em padrões transparentes. A ocupação de cargos – uma das moedas de troca – compromete a conformação dos ministérios e produz danos como o que ora ocupa o noticiário e preocupa o próprio Governo. A crise é, sim, coletiva, e só será resolvida quando houver mudanças no modo de se fazer política, sem fazer desta um balcão. A dúvida é saber quando tal tema será, pelo menos, discutido, porque, até então, tem sido proveitoso para os dois lados – Legislativo e Executivo. Menos para a sociedade.

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