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INFERNO ASTRAL

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A ascensão do vice-presidente Michel Temer à condição de articulador político do Governo, com resultados imediatos na aprovação das medidas provisórias do ajuste fiscal, não significou, necessariamente, que o país voltou aos trilhos. Governo e Congresso discutiram a relação, mas os resultados ainda são insatisfatórios. A base aliada, refratária às propostas impopulares, aprovou temas pontuais, mas não dá garantias de que vai fechar definitivamente com as intenções do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A cada votação, um acordo. Enquanto isso, a oposição manda esquecer o que disse e defende temas que derrotou no passado, como o fator previdenciário. O argumento de que os tempos são outros não se sustenta quando, feitas as contas, se percebe que haverá um impacto de R$ 2,5 trilhões no longo prazo.

É fato que é preciso corrigir injustiças, sobretudo com trabalhadores que passaram a vida inteira contribuindo com base no teto salarial e, ao irem para a aposentadoria, têm seus rendimentos corroídos de mês a mês. Mas é fundamental não haver irresponsabilidades nem com o presente nem com o futuro, pois as consequências podem ser mais graves. A presidente Dilma Rousseff provavelmente irá vetar a medida, mas corre dois riscos: o de ver seu veto derrubado no Congresso e ainda ficar com a conta de quem jogou contra os aposentados. Enfim, seu inferno astral continua.

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O dado perverso desse enredo é que, nesse confronto entre governistas envergonhados e oposição sem constrangimentos, a conta fica para o cidadão comum. O ministro Joaquim Levy, ante a possibilidade de a mudança no fator previdenciário ser mantida, já avisou que a saída será o aumento dos impostos. E quem paga? O setor produtivo já não tem mais espaço para tantos tributos, e o contribuinte comum não tem, sequer, recursos para novo saque ao seu bolso. Deputados e senadores, pois, devem ficar atentos ao futuro. O aplauso de hoje pode ser a vaia de amanhã.

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