O coordenador especial de Políticas de Prevenção à Criminalidade, da Secretaria de Defesa Social, Talles Andrade de Souza, disse à Tribuna que não há previsão para a implantação do programa de prevenção a homicídios, Fica vivo, em Juiz de Fora, hoje com prioridade para Belo Horizonte e Região Metropolitana. Segundo ele, a secretaria espera recuperar o fôlego para voltar a expandir no interior. Trata-se de uma frase enigmática, pois não dá perspectiva de expansão do projeto e nem aponta as razões. Por enquanto, e é o que vem fazendo há anos, a Seds se prende ao argumento de que a cidade ainda não chegou aos níveis críticos de homicídios para merecer o programa.
É o discurso de esperar a casa ser arrombada para, só então, pensar em mudar a fechadura. Se há um programa que ajuda a combater homicídios, não dá para esperar a sua expansão para colocá-lo em ação. Embora Juiz de Fora, como foi mostrado na edição de domingo, não tenha, felizmente, os níveis de crimes contra a vida do Triângulo Mineiro, por exemplo, nada impede, se houver vontade política, a sua adoção, pois, a despeito disso, os números registrados são extremamente preocupantes, inclusive pelas características. O preço da vida caiu, e matar tornou-se um ato banal. Na edição de hoje, é registrado o caso de um homem assassinado por uma dívida, pasmem, de R$ 2.
Mas não são apenas os crimes contra a vida que chamam a atenção. A cidade, desde ontem, está discutindo a permissão de bebidas alcoólicas em festas de escolas públicas em razão do estupro de uma adolescente de 17 anos, na última sexta-feira, num evento na Universidade Federal. Há um clamor geral, mas as investigações ainda não deram pistas sobre o autor, que agiu sob o manto da covardia. Segundo o boletim de ocorrência, ele teria dopado a menina. Há uma nítida queda dos valores que não pode ser acatada pela sociedade, sob o risco de se entrar num beco sem saída.
Não é de hoje que a Tribuna, nesse mesmo espaço, vem cobrando o Fica vivo, que facilitaria, inclusive, o trabalho da polícia. A instância política tem que agir, pois há claras evidências de que não se trata apenas de uma formalidade. Se não houver mobilização das lideranças, não há perspectivas de curto prazo para sua instalação. Até lá, ficaremos esperando o tal fôlego para agir no interior.
