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SEM AMANHÃ

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Impressionam as imagens, apresentadas pela polícia – e já na rede mundial -, de um garoto sendo induzido a fumar maconha. Numa sequência, ele faz comentários desconexos e é orientado, por um adulto, a tirar proveito do cigarro. O gesto fala por si, mas é possível ir além na discussão, sobretudo por se tratar de uma criança de apenas 9 anos. Se nada for feito, ela ficará sem o amanhã, sendo capturada pelo insano mundo das drogas. O Estado não pode ignorar tal situação. Esse garoto em estado de risco precisa de ajuda imediata, enquanto os responsáveis pela ação devem ser chamados a se explicar. O que se viu não foram gestos inocentes, mas puro trabalho de iniciação.

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Onde estão os familiares dessa pequena vítima? Em todos os discursos de combate à violência, a inserção da família tem sido fundamental. Não basta a repressão e nem intervenções em alvos específicos se os laços pessoais não forem acionados. O garoto das imagens é apenas a face visível de um problema que prolifera pelas metrópoles, ocasionando um caldo de cultura que termina na violência. O envolvimento de crianças e adolescentes em atos ilícitos deve ser uma preocupação permanente, pois estão na porta de entrada.

Juiz de Fora enfrenta hoje o flagelo das gangues, em sua maioria formadas por adolescentes que tentam ganhar uma identificação ou exercer algum tipo de controle. Suas atitudes, no entanto, extrapolam os limites da lei, abrindo campo para conflitos e ações que podem culminar, inclusive, em homicídios. Embora seja apenas uma especulação, eles são um campo fértil para a disseminação das drogas, pois uma de suas consequências é inutilizar o bom-senso. O menino das imagens tornou-se o símbolo de tantos outros que correm o risco de fazer do grupo um espaço de manipulação, apresentando suas teses de controle e, ao mesmo tempo, sendo controlado pelos alucinógenos.

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