Com a retirada completa de um morro em uma das cabeceiras da pista, o Aeroporto Regional estará pronto para operar com capacidade máxima, podendo receber todo tipo de aeronaves, e com possibilidade, ainda este ano, de implementar o projeto de internacionalização, sobretudo na área de cargas. Pelo menos é essa a expectativa da Multiterminais Alfandegados do Brasil, empresa que administra o terminal. Uma equipe estaria já trabalhando na documentação a ser apresentada aos órgãos federais e estaduais. No último sábado, em visita a Juiz de Fora, o governador Antonio Anastasia confirmou que a obra deveria estar concluída ainda neste primeiro semestre, dependendo apenas do encerramento do ciclo das águas.
São boas notícias para a região, que, durante o primeiro mês do ano, viveu sob o signo da tragédia, com enchentes, mortes e cicatrizes que ainda vão demorar a fechar. Mas como é preciso ir adiante, é necessário ampliar o debate sobre o desenvolvimento da região, cobrando projetos que complementem as metas do novo aeroporto. Com sua mudança de vocação para industrial, é certo que o volume de cargas nas vias de acesso tende a crescer, e é aí que reside o problema. Sempre que se falou no aeroporto, e não foram poucas as vezes, apontou-se a necessidade de duplicação da MG-353 e de sua ligação com a BR-040, a fim de facilitar a convivência entre veículos de passeio e carretas, além da conexão direta com uma via federal, sem passar pela área urbana de Juiz de Fora.
Essa é a parte que ainda não entrou nas metas do Governo, apesar de este não estar infenso à discussão. A ligação das rodovias é um fato que só depende de pendências técnicas na área ambiental, possivelmente já superadas, mas a duplicação está fora da agenda. O trecho é pequeno, mas uma serra – a mesma que ficou interditada por quase um mês em função de um deslizamento de terras – é um ponto crítico. O trânsito pesado provocará retenções e danos, inclusive aos demais usuários do aeroporto, que correm o risco de perder a viagem dependendo do fluxo de carros. É preciso insistir com o Governo para que, ao fazer a ligação, também implemente o restante do projeto. Deixar para uma outra etapa é temerário, sob o risco de ficar apenas como uma proposta no papel.
