Nos últimos 30 anos, cerca de 1,1 milhão de brasileiros foram assassinados, de acordo com pesquisa do Instituto Sagari, responsável pelo Mapa da Violência, retratando as ocorrências no país. São números perversos e que impressionam, pois superam guerras convencionais, como o conflito entre Israel e Palestina, com duração de 53 anos. Lá, durante todo esse tempo – e já é muito – morreram 125 mil pessoas. Pela pesquisa, a média do período é de quatro brasileiros assassinados por hora, dado que não sustenta o discurso sobre segurança que ainda perpassa os gabinetes oficiais.
O paradoxo é que a violência cai nas metrópoles e migra para o interior, fruto, de acordo com os próprios especialistas, da conjuntura econômica, que melhorou o acesso aos bens em outras regiões – inclusive às drogas – e da mudança dos próprios criminosos, sob pressão nas capitais, em busca de refúgio seguro.
Os dados ainda carecem de outras avaliações, mas demonstram, de pronto, que a combinação de prevenção com repressão é vital, pois não é admissível número tão grande de ocorrências, sobretudo quando boa parte dela se situa entre os jovens entre 18 e 24 anos.
Há cerca de uma semana, a presidente Dilma anunciou o repasse de R$ 1 bilhão para políticas de segurança, por entender que se trata de um lado frágil do Governo. E é, pois, a despeito dos pronunciamentos, muitas das ações já haviam sido prometidas em mandatos anteriores e ficaram apenas no papel.
O tráfico continua sendo uma das principais fontes da violência, daí a importância de enfrentá-lo com todos os aparatos possíveis, já que o número de mortos supera a média mundial.
Em entrevista à Tribuna, o comandante da 4ª Região de Polícia Militar, coronel Ronaldo Nazareth, comemorou os índices de Juiz de Fora – os melhores entre as cidades-polo do estado -, mas é preciso não abrir mão da vigilância, que deve ser permanente em nome do bem comum, mesmo que haja espaço para celebrar.
