Ícone do site Tribuna de Minas

Terceiro turno

PUBLICIDADE

Manifestações pós-eleições não levam a lugar algum, a não ser ao recrudescimento da divisão dos grupos Duas semanas depois das eleições, com o país conhecendo seus dirigentes e representantes nos legislativos, ainda há setores que continuam em plena atividade típica de campanha, como se houvesse um terceiro turno. Primeiro foi um grupo em protesto contra a vitória de Dilma Rousseff que ocupou as ruas de São Paulo. O PSDB negou ser padrinho do grupo. Depois, a onda ocorreu em sentido contrário. Cerca de sete mil pessoas, organizadas pelo Movimento dos Sem-teto, também na capital paulista, fizeram a marcha contra os opositores da presidente, acusando o PSDB, principalmente, de ser um partido de direita, mas com vergonha de assumir tal posição.

Basicamente, em todas as campanhas, cria-se um cenário ideológico de polarização que não existe no dia a dia da política. No poder, tanto tucanos quanto petistas tiveram que negociar em ampla escala para efetivarem seus projetos de poder. A base aliada, que ora fecha com o PT, é basicamente a mesma que deu respaldo aos oito anos de governo tucano. O senador Romero Jucá (PMDB-RR) é a face explícita desse movimento, tendo sido líder dos governos FHC, Lula e Dilma. Flertou com a candidatura de Aécio Neves, mas está na linha de frente do Governo para mudar a LDO e a previsão do superávit fiscal.

PUBLICIDADE

Na América Latina, nas últimas duas décadas, demonizar a direita tornou-se um exercício básico dos movimentos políticos, sendo que a maioria desconhece, de fato, os fundamentos que a regem. Estados nacionais do primeiro mundo convivem bem com esse maniqueísmo, respeitando as suas diferenças. Se um segmento considera que o Estado não tem que se meter na vida do cidadão, como pregam os liberais – é o caso dos Estados Unidos -, outros entendem que sem o Estado a sociedade não muda, sendo necessária a sua intervenção, como ora ocorre no Brasil. São projetos de governo distintos, mas nada que deva considerá-los como algo a não ser levado em conta.

A ignorância produz situações em que todos perdem. Incentivar o terceiro turno é um passo atrás, que não conduz a nada, a não ser para um país dividido.

Sair da versão mobile