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AÇÕES DAS RUAS

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As ruas continuam sendo o melhor palanque para as manifestações populares e fazem parte do espaço democrático para demandas da população. Foi assim nos protestos dos estudantes no período de repressão, na fase mais dura da ditadura, quanto na campanha pelas Diretas, que mobilizou milhares de pessoas em praças pelo país afora. Há, porém, um diferencial: hoje, atos que deveriam ser de protesto se transformam em vandalismo, praticados por aqueles que se escondem no anonimato da multidão para depredar espaços públicos e privados.

Nos últimos dias, por conta dos reajustes nas tarifas de ônibus, manifestantes foram às ruas nas principais capitais brasileiras para exercer o legítimo direito de protesto. Questionaram os números e, em alguns casos, até obtiveram o recuo, como ocorreu em Maringá, no Paraná, onde o Governo reconheceu o arrocho. Até aí, o jogo deve ser jogado. O que se viu, no entanto, não foi apenas a manifestação contra os aumentos. Prédios públicos – alguns históricos – viraram alvo, num prejuízo que certamente cairá no colo da própria população.

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Separar manifestantes de vândalos é uma ação impossível, mas é necessário discutir essa mistura que acaba comprometendo a imagem dos próprios movimentos. A opinião pública compra o protesto, mas rejeita quando descamba para tais atitudes. Na última segunda-feira, no Rio de Janeiro, nem uma tradicional igreja escapou da insanidade. O Centro Cultural Banco do Brasil – um espaço público de grande relevância – também teve os vidros quebrados.

Manifestações populares têm um viés próprio, mas como não há meios de controlar plenamente seus integrantes, é fundamental que as organizações, antes mesmo de seu início, façam alerta para tais questões. Quando se muda o foco, há sempre o risco do tiro no pé, isto é, o que seria para chamar a atenção dos governos acaba ganhando o repúdio coletivo.

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