O levantamento elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontando que nove dos 13 principais aeroportos do país não estarão prontos para atender à demanda de passageiros na Copa do Mundo de 2014, demonstra que nem mesmo os governos – federal e estaduais – acreditavam no crescimento da economia e nem perceberam a mudança de perfil da sociedade. Enquanto a classe média andava de ônibus, os aeroportos eram objeto de luxo para o andar de cima. Hoje, o cenário é outro.
O documento, produzido por um órgão ligado ao Governo, ganha mais autenticidade pela própria percepção dos usuários. As condições de acolhimento são as piores possíveis, e a qualidade dos serviços fica aquém de todas as expectativas. Resta, agora, recuperar o tempo perdido, pois faltam apenas dois anos e meio para a competição.
O cenário apresentado pelo Ipea não chega a surpreender, pois reflete apenas a situação de outros serviços. O país, que em pouco mais de dez anos deu uma guinada no seu perfil econômico, ainda tem sérios problemas de infraestrutura, que ganham ênfase agora por conta da Copa e dos Jogos Olímpicos. Mas não foi por falta de aviso. Há tempos, denuncia-se que há uma longa jornada a cumprir. Os políticos, cujo timing é diferente do das ruas, diziam, e continuam dizendo, que dará tempo. Mas em que condições? Obras a toque de caixa ficam mais caras e com a qualidade comprometida, e não é isso que se espera para investimentos tão estratégicos.
As duas competições são apenas referência, pois trarão um novo público, mas o dia a dia nos aeroportos e nas rodoviárias é usualmente problemático, indicando que é preciso agir já, sob o risco de se pagar o vexame de receber os turistas esportivos em meio a obras, como, aliás, ocorreu na África do Sul, onde alguns estádios só ficaram prontos às vésperas da competição. No Brasil, cobram-se não apenas investimentos nos palcos esportivos, mas em outras frentes, como transporte e segurança.
